Slide MEDIA EDIÇÃO 2020 OUVIDOS PARA A MÚSICA EDIÇÕES ANTERIORES CONTACTOS close 213 235 740 tmsr@scml.pt MENU

PARTILHE

13 NOV
21h00

STABAT MATER DE BOCHERINNI

BACH E BOCCHERINI – O BARROCO ALEMÃO E O CLASSICISMO ITALIANO

01 Orquestra Barroca Casa da Música 02 Orquestra Barroca Casa da Música 03 Orquestra Barroca Casa da Música 04 Orquestra Barroca Casa da Música 05

PLAY close

ORQUESTRA BARROCA CASA DA MÚSICA

ORQUESTRA BARROCA CASA DA MÚSICA

Laurence Cummings CRAVO E DIREÇÃO MUSICAL

Sara Braga Simões SOPRANO

Mónica Monteiro SOPRANO

Fernando Guimarães TENOR

Suite para orquestra n.º 4 em Ré maior, BWV 1069 (c.1717‑30) JOHANN SEBASTIAN BACH

  1. Ouverture
  2. Bourrée I e II
  3. Gavotte
  4. Menuett I e II
  5. Réjouissance

 

Stabat Mater, para 2 sopranos, tenor e cordas, op. 61 G. 532 (1800) LUIGI BOCCHERINI

  Introduzione (Allegro assai)

  1. “Stabat Mater” (Adagio flebile)
  2. “Cujus animam” (Allegro)
  3. “Quae moerebat” (Allegretto con moto)
  4. “Qui est homo” (Adagio assai)
  5. “Pro peccatis” (Allegretto)
  6. “Eja Mater” (Larghetto non tanto)
  7. “Tui Nati vulnerati” (Allegro assai)
  8. “Virgo virginum” (Andantino)
  9. “Fac ut portem” (Andantino)
  10. “Fac me plagis”(Allegro comodo assai)
  11. “Quando corpus”(Andante lento)

O texto do Stabat Mater é uma poesia medieval que, desde a tradição pietista iniciada por Alessandro Scarlatti e sedimentada pela célebre obra de G. B. Pergolesi na primeira metade do séc. XVIII, se tornou um paradigma de texto de carácter não-litúrgico a ser posto em música pelos compositores posteriores. No mesmo espírito de grande influência da teatralidade musical napolitana, muitos compositores escreveram as suas próprias versões deste poema, frequentemente com citações explícitas da obra pergolesiana.

Este programa inclui a segunda versão do Stabat Mater de Boccherini para cordas, soprano, tenor e baixo, de 1800. Modernamente, esta versão é menos conhecida e executada do que a primeira, de 1781, para soprano solo e cordas. Nesta segunda versão, Boccherini manteve a estrutura original e as tonalidades dos andamentos, mas faz mais do que apenas acrescentar vozes ao contraponto. Redistribui as ideias musicais e cria novas soluções instrumentais e harmónicas. O uso da tonalidade de Fá menor, uma das mais instáveis e escuras utilizadas nas afinações não temperadas, é a mesma utilizada tanto por Scarlatti quanto por Pergolesi. O tema inicial cantado pelo soprano é emocionalmente inspirado e cativa de imediato o ouvinte, que se vê diante da mais impressionante releitura galante para esse texto.

A obra desenvolve-se numa estrutura de cantata a três, com o uso bastante dramático do recitativo acompanhado, recurso inovador em relação aos modelos napolitanos anteriores. Se vale a pena apontar, a diferença fundamental entre este Stabat Mater de Boccherini e o modelo de Pergolesi reside no conceito dramático distinto para o final da obra. Em oposição ao modelo pergolesiano de um dramático e veloz Ámen em fugato, o compositor de Madrid opta por uma outra interpretação do texto final “Quando corpus morietur, fac ut animae donetur paradisae gloriae” (“Quando o meu corpo morrer, faz com que seja concedida à minha alma a glória do paraíso”). A solução de Boccherini é leve, de elevação, como sugere o texto.

– RICARDO BERNARDES

A Orquestra Barroca Casa da Música formou-se em 2006 com a finalidade de interpretar a música barroca numa perspetiva historicamente informada. Para além do trabalho regular com o seu maestro titular, Laurence Cummings, a orquestra apresentou-se sob a direção de Rinaldo Alessandrini, Alfredo Bernardini, Amandine Beyer, Fabio Biondi, Harry Christophers, Antonio Florio, Paul Hillier, Paul McCreesh, Riccardo Minasi, Andrew Parrott, Rachel Podger, Christophe Rousset, Dmitri Sinkovsky, Andreas Staier e Masaaki Suzuki, na companhia de solistas como Andreas Staier, Roberta Invernizzi, Franco Fagioli, Peter Kooij, Dmitri Sinkovsky, Alina Ibragimova, Rachel Podger, Marie Lys, Iestyn Davies, Rowan Pierce e os agrupamentos The Sixteen, Coro Casa da Música e Coro Infantil Casa da Música.

Os concertos da Orquestra Barroca têm recebido a unânime aclamação da crítica nacional e internacional. Fez a estreia portuguesa da ópera Ottone de Händel e, em 2012, a estreia moderna da obra L’Ippolito de Francisco António de Almeida. Apresentou-se em digressão em Espanha (Festival de Música Antiga de Úbeda y Baeza e em Ourense), Inglaterra (Festival Handel de Londres), França (Ópera de Dijon e Festivais Barrocos de Sablé e de Ambronay), Alemanha (BASF em Ludwigshafen am Rhein), Áustria (Konzerthaus de Viena) e China (Conservatório de Música da China em Pequim), além de concertos em várias cidades portuguesas – incluindo os festivais Braga Barroca e Noites de Queluz. Ao lado do Coro Casa da Música, interpretou Cantatas de Natal e a Missa em Si menor de Bach, excertos do Messias de Händel e as Vésperas de Santo Inácio de Domenico Zipoli. Em 2015 estreou-se no Palau de la Musica em Barcelona, conquistando elogios entusiasmados da crítica. Ainda no mesmo ano, mereceu destaque a integral dos Concertos Brandeburgueses sob a direção de Laurence Cummings. Tem tocado regularmente com o cravista de renome internacional Andreas Staier, com quem gravou o disco À Portuguesa (Harmonia Mundi, 2018), que incluiu dois concertos de Carlos Seixas e foi apresentado em atuações no Porto e em digressão — Ópera de Dijon, BASF em Ludwigshafen am Rhein, Konzerthaus de Viena e Noites de Queluz em Sintra. Em 2019, interpretou o Stabat Mater de Pergolesi e fez concertos dedicados à Arte da Fuga de Bach e às Vésperas de Monteverdi.

Na abertura da temporada de 2020, a Orquestra Barroca apresenta obras sacras de Charpentier sob a direcção de um dos maiores especialistas no Barroco francês, Hervé Niquet, e mais tarde volta a colaborar com os maestros-solistas Rachel Podger e Dmitry Sinkovsky. Interpreta ainda obras de Bach e Telemann e celebra o Natal com um regresso à música de Charpentier.

A Orquestra Barroca Casa da Música editou em CD gravações ao vivo de obras de Avison, D. Scarlatti, Carlos Seixas, Avondano, Vivaldi, Bach, Muffat, Händel e Haydn, sob a direcção de alguns dos mais prestigiados maestros da actualidade internacional.