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Sete Lágrimas

_07_nov_dom / 16h30
_Convento de São Pedro de Alcântara

“Iberia Mayor”

O cruzamento intercultural, essência das Culturas ibéricas entre os séculos XVI e XIX

Sete Lágrimas

Filipe Faria e Sérgio Peixoto | Direção

Filipe Faria | Voz e Direção
Sérgio Peixoto | Voz e Direção
Sofia Diniz | Viola da Gamba
Tiago Matias | Alaúde, Guitarra Barroca, Guitarra Romântica e Tiorba
Mário Franco | Contrabaixo
Juan de la Fuente Alcón | Percussão

Parto triste saludoso
Filipe Faria (n. 1976) e Sérgio Peixoto (n.1974) sobre texto de vilancico anónimo (s. XVI)

Recercada quarta sobre tenore “La folia”
Diego Ortiz (c.1510 – c.1576) (Recercadas del Tratado de Glosas, 1553)

Mis arreos son las armas
Filipe Faria (n. 1976) e Sérgio Peixoto (n.1974) sobre texto de vilancico anónimo (s. XVI)

Recercada segunda sobre tenore “El passamezzo moderno”
Diego Ortiz (c.1510 – c.1576) (Recercadas del Tratado de Glosas, 1553)

Porque lhoras moro
Filipe Faria (n. 1976) e Sérgio Peixoto (n.1974) sobre texto de vilancico anónimo (s. XVI)

Recercada otava sobre tenore “La folia”
Diego Ortiz (c.1510 – c.1576) (Recercadas del Tratado de Glosas, 1553)

Variação sobre Seguiriya

Ay que biviemdo no byvo
Filipe Faria (n. 1976) e Sérgio Peixoto (n.1974) sobre texto de vilancico anónimo (s. XVI)

Recercada primera sobre tenore “El passamezzo antiguo”
Diego Ortiz (c.1510 – c.1576) (Recercadas del Tratado de Glosas, 1553)

La terrible pena mya
Filipe Faria (n. 1976) e Sérgio Peixoto (n.1974) sobre texto de vilancico anónimo (s. XVI)

Tarantella
Trad. (Itália), arr. Tiago Matias

Pues que veros fue ocasion
Filipe Faria (n. 1976) e Sérgio Peixoto (n.1974) sobre texto de vilancico anónimo (s. XVI)

Recercada quinta sobre tenore “El passamezzo antiguo”
Diego Ortiz (c.1510 – c.1576) (Recercadas del Tratado de Glosas, 1553)

Biem podera my desvemtura
Filipe Faria (n. 1976) e Sérgio Peixoto (n.1974) sobre texto de vilancico anónimo (s. XVI)

“A predisposição para o cruzamento intercultural estava já, afinal, na própria essência das Culturas ibéricas, resultantes de séculos de sucessivos processos de fusão, primeiro entre modelos celtas e greco-romanos, depois entre padrões cristãos, árabes e judaicos. A experiência da miscigenação cultural estava-nos, bem vistas as coisas, na carga genética civilizacional, e a expansão marítima ter-se-á limitado, a este respeito, a alargar a gama dos potenciais ingredientes. Mas o que é certo é que quer na Metrópole quer nas várias colónias portuguesas assistimos, logo a partir das primeiras fases da chegada dos Portugueses, à emergência de práticas artísticas híbridas que traduziam um intenso diálogo, no terreno, entre as múltiplas tradições em presença – um diálogo sempre formatado, como é óbvio, pela hierarquia do Poder colonial mas surpreendentemente aberto a trocas e a aprendizagens mútuas. E é assim que no campo da Música, por exemplo, logo nos séculos XVI e XVII encontramos nos vilancicos de Igreja peninsulares ritmos ameríndios e afro-brasileiros, e que, nos séculos XVIII e XIX, os salões e teatros lisboetas são literalmente invadidos pelos Lunduns e Modinhas brasileiros, a que em breve se juntará o Fado – tudo isto com grande espanto dos viajantes estrangeiros, que encaram este hibridismo cultural como um simples fenómeno de decadência. Estas manifestações de cruzamento que chegam ao Reino são, por sua vez, a consequência dos processos de interação cultural que têm lugar nas próprias colónias e que produzem localmente novos géneros de fusão na Música e na Dança que alargam, também aí, o espectro das práticas artísticas tradicionais das populações indígenas. E o que é de sublinhar é que estas trocas se processam não só ao nível das Músicas eruditas como atravessam também todo o espectro social – não há sector das sociedades coloniais do Império português que não seja tocado nas suas práticas e expressões artísticas por esta interação.”

Rui Vieira Nery (Musicólogo, FCSH/UNL)

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