Ludovice Ensemble
/ 19h30
/ Igreja de São Roque
Direção musical / Fernando Miguel Jalôto
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As novas revelações das encomendas de D. João V *
* Estreia moderna
Inspirado pelo espírito de maravilhamento de D. João V, este programa redescobre Francesco Grassi, uma figura de destaque da Roma barroca hoje quase esquecida.
As suas Vésperas para o Nascimento de São João Baptista, conservadas apenas em Lisboa, revelam um raro tesouro do património musical europeu.
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Joannes est nomen ejus. Et mirati sunt universi
As Vésperas para o Nascimento de São João Baptista de Francesco Grassi (ca. 1650-1703)
Obras encomendadas por D. João V e preservadas unicamente em Lisboa
Primeira Audição Moderna MundialTocata para órgão *
Tomás Luis de Victoria (c. 1548-1611)
Deus in adjutorium meum **Antífona I
Ipse præíbit (Cantochão)Francesco Grassi (ca. 1650-1703)
Dixit Dominus Domino meo a 4, em Dó menorVerso de Órgão *
Antífona II
Joannes est nomen ejus (Cantochão)Francesco Grassi
Confitebor tibi, Domine, in toto corde meo a 4, em Si bemol maiorVerso de Órgão *
Antífona III
Ex utero senectutis (Cantochão)Francesco Grassi
Beatus vir, qui timet Dominum a 4, em Fá maiorVerso de Órgão *
Antífona IV
Iste puer magnus (Cantochão)Francesco Grassi
Laudate, pueri, Dominum a 4, em Ré menorVerso de Órgão *
Antífona V
Nazareus vocabitur puer iste (Cantochão)Francesco Grassi
Laudate Dominum, omnes gentes a 4, em Sol menorVerso de Órgão *
Capítulo
Audite, insulae…Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525/26-1594)
Ut queant laxis a 4, para a Festa de São João BaptistaVersículo
Fuit homo missus a Deo
R. Cui nomen erat JoannesGiovanni Pierluigi da Palestrina
Puer qui natus est, nobis plus quam propheta a 5Francesco Grassi
Magnificat a 4, em Lá menorVerso de Órgão *
Oração
Domine, exaudi orationem meam…Conclusão
Domine, exaudi orationem meam…Giovanni Giorgi (final do século XVII-1762)
Elisabeth, Zachariae a 4* Manuscrito P-Cug MM60, Obras Romanas para Órgão, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.
** Manuscrito da Bischöfliche Zentralbibliothek, Regensburg.
*** Manuscritos do Arquivo da Fábrica da Sé Patriarcal de Lisboa.
**** Hymni Totius Anni, Roma, 1589.
***** Motettorum, Liber I, Roma, 1569
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- Fernando Miguel Jalôto | Diretor Musical e Órgão
- Eduarda Melo | Soprano
- Gabriel Díaz | Contratenor
- Fernando Guimarães | Tenor
- André Henriques | Barítono
- Tomasz Wesolowski | Fagote Barroco
- Filipe Leal | Coro
- Pedro Miguel | Coro
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«O seu nome é João. E todos se maravilharam» (Lc 1,63).
- João V e a ideia de maravilhamento tornaram-se inseparáveis graças ao extraordinário programa de mecenato artístico promovido pelo monarca. A Capela de São João Baptista, na Igreja de São Roque, constitui um dos exemplos mais notáveis dessa visão, reunindo arquitetura, artes decorativas, paramentaria e ourivesaria de excecional qualidade.
Menos conhecida permanece a dimensão musical associada a este projeto. Com o objetivo de elevar Lisboa ao nível das grandes capitais europeias, D. João V promoveu a importação de repertório proveniente de Roma, encomendando obras aos mais destacados compositores italianos do seu tempo. Uma parte significativa desse património conserva-se atualmente no arquivo da Sé de Lisboa.
O programa apresentado pelo Ludovice Ensemble recupera esse universo sonoro através das Vésperas para o Nascimento de São João Baptista de Francesco Grassi, compositor romano conhecido pelos seus contemporâneos como il bassetto. Embora a sua biografia permaneça pouco documentada, desempenhou funções de Mestre de Capela em instituições de relevo da cidade de Roma e a sua música circulou amplamente em diversos países europeus.
O conjunto de Vésperas hoje interpretado sobrevive apenas em Lisboa, constituindo um testemunho singular das encomendas musicais realizadas pela corte joanina. A sua recuperação resulta do trabalho de investigação musicológica, transcrição dos manuscritos e reconstrução das práticas históricas de interpretação.
Mais do que um concerto, esta apresentação procura restituir uma dimensão essencial do património associado à Capela de São João Baptista, permitindo redescobrir um legado musical de extraordinária relevância artística e histórica.
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O Ludovice Ensemble é um agrupamento especializado na interpretação historicamente informada da música dos séculos XVII e XVIII. Fundado em Lisboa, em 2004, por Fernando Miguel Jalôto e Joana Amorim, dedica-se à divulgação do repertório vocal e instrumental da época barroca através da utilização de instrumentos históricos e de práticas interpretativas fundamentadas na investigação musicológica.
O ensemble apresenta-se regularmente nos principais festivais portugueses e nas mais importantes salas de concerto do país, incluindo o Centro Cultural de Belém e a Fundação Calouste Gulbenkian. Internacionalmente, atuou em festivais especializados na Bélgica, Países Baixos, França, República Checa, Israel, Irlanda, Estónia e Espanha.
Membro do REMA – Réseau Européen de Musique Ancienne, o grupo desenvolve uma intensa atividade artística e discográfica. O seu primeiro álbum foi nomeado para os International Classical Music Awards e distinguido pela revista Diapason. Paralelamente, promove desde 2021 a Academia Ludovice, dedicada às práticas históricas da música, dança e teatro barrocos.
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Especialista em instrumentos históricos de teclado e interpretação historicamente informada, Fernando Miguel Jalôto é fundador e diretor artístico do Ludovice Ensemble. Colabora regularmente com formações internacionais de referência, entre as quais Vox Luminis, Oltremontano, La Galanía e Capilla Flamenca.
Apresentou-se em festivais e salas de concerto por toda a Europa, Israel, China e Japão, tendo realizado numerosas gravações discográficas e participado em transmissões para rádio e televisão. Dirige regularmente repertório barroco vocal e operático e desenvolve intensa atividade pedagógica em Portugal e no estrangeiro. É doutorado em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa.
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Formada em Canto pela Escola Superior de Música e das Artes do Espetáculo do Porto, integrou o Estúdio de Ópera da Casa da Música e o Centre National d’Insertion Professionnelle d’Artistes Lyriques de Marselha.
Desenvolve carreira internacional, colaborando com maestros como Marc Minkowski, Ton Koopman, Hervé Niquet e Jérémie Rhorer. Apresenta-se regularmente em importantes teatros e festivais europeus, destacando-se o seu trabalho nos repertórios operático e barroco.
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Gabriel Díaz desenvolve uma intensa carreira internacional no repertório barroco, colaborando com maestros como Jordi Savall, Lionel Meunier, Andreas Spering e Ruben Jais.
Apresentou-se em inúmeros festivais e salas de concerto na Europa e nas Américas, destacando-se interpretações em produções de ópera de Handel, Monteverdi e outros compositores dos séculos XVII e XVIII. Participou igualmente em diversas estreias modernas e produções de referência no panorama da música antiga europeia.
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Reconhecido internacionalmente pela sua atividade no repertório barroco e pré-clássico, Fernando Guimarães foi distinguido em vários concursos internacionais e nomeado para um Grammy em 2015 pela interpretação do papel de Ulisse, de Monteverdi.
Colaborou com agrupamentos como Les Arts Florissants, L’Arpeggiata, Pygmalion, Cappella Mediterranea e Collegium 1704, apresentando-se em importantes festivais e casas de ópera europeias. É igualmente diretor artístico do ensemble Il Filo d’Oro.
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Diplomado em Canto pela Escola de Música do Conservatório Nacional e bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian na Royal Welsh College of Music and Drama, André Henriques desenvolve carreira nos domínios da ópera, música de câmara e repertório sinfónico-vocal.
Interpretou papéis de destaque em obras de Mozart, Rossini, Haydn, Philip Glass, Joly Braga Santos, Eurico Carrapatoso e Alexandre Delgado, apresentando-se regularmente em palcos nacionais e internacionais.
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Natural de Gdańsk, na Polónia, Tomasz Wesolowski especializou-se em fagote histórico após os seus estudos em Haia e Milão.
Tem colaborado com agrupamentos de referência como Freiburger Barockorchester, Les Talens Lyriques, Bach Collegium Japan, Musiciens du Louvre e Netherlands Bach Society. É igualmente professor de fagote histórico e música de câmara em instituições polacas e internacionais